sábado, 5 de fevereiro de 2011

COMO CRIANÇAS

Ao entardecer admirava, da varanda de nossa casa, aquele garotinho de dois ou tres anos, em intensa alegria, dirigindo seu carrinho de plástico, pra lá e pra cá.
Fiquei imaginando como é interessante a vida.
No período da infância o ser feliz e o sonhar são de graça. Não é preciso pagar preço algum por eles, porque são sonhos despretensiosos, não visam resultados. Sonha-se sem custo. Isso gera realização e grande felicidade. Aí não existem desejos, simplesmente se vive o que o momento oferece.
Depois, na adolescência, já não conseguimos ser simplesmente felizes com o sonhar. Os sonhos passam a ser desejos. E desejos escondem sempre um custo. Se não for um custo financeiro, há um custo sentimental agregado a eles. Sonhar passa a depender de outros fatores que não interferiam, outrora, em nossa busca. Não nos contentamos mais em sonhar e ser felizes, independentemente do sonho se materializar ou não. A cultura assim imprime em nossa mente: para se alcançar a felicidade é preciso possuir.
Quando adultos, sob a ação do sentimento do possuir e do ter, esgotamos nossas energias trabalhando como loucos para realizar os ‘sonhos’. Cremos que são sonhos, todavia, são simplesmente desejos que por si não trazem a felicidade que buscamos. Quanto mais desejos, mais sofrimento.
Na velhice, então, nos revestimos da sabedoria e da pureza para olhar a vida. Trocamos a angustiante idéia do ter para simplesmente ser. Olhamos para trás e percebemos que não era preciso tanto sofrimento para ser feliz. Bastaria a continuidade do sonhar singelo e da pureza de espírito. O peso dos anos anula os desejos. Sem desejos elimina-se a angústia e grande parte do sofrimento.
Tornamo-nos livres para voltar a sonhar, como crianças.
Como são verdadeiras as palavras: ‘Se não vos tornardes crianças não entrareis no Reino dos Céus’.
De verdade, voltemos a ser crianças já, eliminando um processo desnecessário para alcançar o reino da felicidade!
J. Rubens Alves


Nenhum comentário: