quarta-feira, 13 de abril de 2011

FRUTOS DA LUZ


Parei por alguns instantes em um posto de conveniências. Enquanto aguardava meu filho observei, pela janela do veículo, um casal de deficientes visuais, caminhando pela calçada, guiando-se apenas por suas varinhas.

Simpáticos, jovens, esportivamente bem vestidos e com visual bem produzido, homem e mulher caminhavam com habilidade incrível, se desviando de outras pessoas e de pequenos obstáculos, até chegarem ao cruzamento de uma movimentada avenida, onde ficaram aguardando o auxílio de qualquer pessoa.

Percebendo que ninguém os notava, apesar de suas características, desci do carro e rapidamente me dirigi até eles auxiliando-os a atravessar o cruzamento

Em rápida conversa soube, então, que Wellington e Janaína eram casados e que ela esperava um menino para breve, conforme ela mesma disse, 'um fruto de seu amor'. Diante de tanta simpatia, educação e sorrisos, refleti de que a cegueira é a falta de luz, mas os bons fluídos daquele casal eram, todavia, percussores de uma luz interior muito intensa.

Ali estavam como testemunho de que a pior cegueira não é a física porque, mesmo cegos, possuíam uma luz interior que extravasava sua condição humana. Eles eram prova real de que ‘o fruto da verdadeira luz chama-se bondade’, delicadeza e amor, mesmo o corpo sofrendo por uma anomalia como a deles.

Abençoados pela união e agraciados pelo fruto de seu amor, sua cegueira física não os impediu de serem visionários e construtores de uma história de luz .

Os cegos em seu interior só produzem frutos de má qualidade na escuridão porque, por sua própria natureza, abominam a luz. ‘Mantêm suas obras em segredo porque têm vergonha de mostrá-las’. Cabe a cada um escolher que tipo de obras e frutos deseja produzir.

J. Rubens Alves

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