quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

BUSCAR A VERDADE

Gosto de escrever a palavra 'Verdade' sempre com a primeira letra em maiúsculo, reconhecendo o peso desse conceito tão valorizado por quem o encarnou há dois mil anos. 
Ninguém no mundo pode mudar a Verdade. O que pode ser feito, quando se encontra a Verdade, é simplesmente abraçá-la e aceitá-la. 
A Verdade demora, muitas vezes, para se manifestar e  jogar luz sobre assuntos obscuros. Pode tardar, mas sempre se manifesta gloriosa resgatando a essência de pessoas e sentimentos.
Existem muitos conflitos que provocam amarguras e  desastres nos meios sociais, no trabalho e na  família.
O maior conflito, porém, acontece no íntimo das pessoas, exatamente quando elas lutam para decidir se ficam ao lado da Verdade ou da Mentira. É a grande luta interior para escolher as bases do agir e do viver.
Essa batalha afeta profundamente interferindo na existência, sempre desafiando cada pessoa a escolher entre dois pontos inconciliáveis. 
Decidir entre a Verdade e a Mentira significa escolher entre o Bem e o Mal que são, da mesma forma, contraditórios e inconciliáveis.
Todas as consequências decorrentes da escolha serão marcantes na vida de cada pessoa, talhando em cada uma as características marcantes. A opção será a faceta da própria identidade.
Essa escolha entre o Bem e o Mal, Verdade e Mentira será feita, visto que é impossível conviver com dois conceitos tão divergentes entre si.
Nada valeria alguém dizer sobre uma vitória, seja no trabalho, no social ou na espiritualidade se o conflito entre Bem e Mal continuar ativo no profundo das almas, causando dúvidas e produzindo desastres a cada novo amanhecer!
Somente a partir da escolha certa, cada ser florescerá para uma vida plena em harmonia, amor, paz e alegria!
Cada um que optar pela Verdade em todas as circunstâncias de sua vida, certamente descobrirá que ela, em si e por si, é a própria libertação!

J. Rubens Alves

domingo, 2 de dezembro de 2012

O GRUPO, A INJUSTIÇA E O DILEMA

Qualquer injustiça dói! Provoca dor porque fere a carne e o coração. 
Fere mais profundo a injustiça praticada por grupo ou instituição constituídos por pessoas que sempre se declararam irmanadas no espírito cristão e, mesmo assim, tomam atitudes sem critério. 
Em retrocesso aos tempos da condenada inquisição, se unem na escuridão para julgar, condenar e excluir de seu meio supostos desafetos, sem direito à defesa aos 'condenados'.
Os motivos para a arcaica decisão podem ser banais e corriqueiros, sem relação alguma com a essência verdadeira da instituição que os abriga, motivos que bastam, contudo, para expurgar os pares incômodos que não se encaixam mais aos seus gostos.
Com certeza, o Mal se infiltra, de mansinho, em qualquer meio, até em grupos reunidos ao redor do ideal cristão, causando estragos, semeando desconfiança e caos, bastando para isso, o apenas descuidar-se da vigilância e da oração. 
O Mal se dissemina através de pequenas inverdades, de fofocas criadas a partir de fatos comuns na vida dos vivos e que nada tem a ver com os objetivos espirituais primeiros daquele grupo irmanado. 
As discórdias são plantadas sutilmente, sem fundamento, mas com maestria, sempre por alguém enfraquecido nos propósitos da fé e da espiritualidade, despertando no grupo o monstro adormecido da corporatividade. 
Antes alicerçado em bases do amor, da compreensão, da correção fraterna, no direito à defesa e no cultivo da paz, o grupo afetado pela semente do Mal corrompe suas estruturas e se esfacela, como espigas de milho envelhecidas, cujos grãos já não servem para semear ou alimentar, comprovando que o envelhecimento pode ocorrer não só no campo biológico, mas no campo das certezas espirituais e do bom senso. 
O envelhecimento espiritual pode se evidenciar pelo enrijecimento do pensamento e pela deficiência da visão do coração, confirmando que o envelhecer, nem sempre aumenta o nível de sabedoria, mas em alguns casos, o da intolerância. 
Pessoas afetadas pelo Mal, mesmo sem cultivar o interesse das 'trinta moedas de prata', porém supostamente guarnecidos em nome do 'seu deus', 'do seu grupo', 'do seu entendimento', excluem do seu meio as pessoas que já lhes serviram como referência de bondade, de juventude, de dinamismo e de serviço, em troca de caprichos equivocados. 
A injustiça praticada por gente que se diz 'de Deus' é mais aniquiladora que a injustiça praticada pela lei dos homens: Ela faz sangrar o coração! 
O grande consolo vem pela justiça de Deus, que mesmo tardia não falha, não permitindo morrer os corações feridos, mas fazendo arder, pelo remorso, os corações que feriram. Como dizia Platão: "Cometer injustiças é pior que sofrê-las". 
É triste constatar que muitos se desencantam com as instituições e pessoas incumbidas da missão de propagar a semente do Reino de Deus através do testemunho de suas vidas quando assistem a esses procedimentos asquerosos de julgamento e de injustiça premeditadas por parte das pessoas que se declaram 'do Bem e de Deus'. 
Os desiludidos não conseguem compreender como pessoas assim, com esse perfil de julgadores, possam ser seguidoras de um Jesus que acolhia e não condenava nem mesmo as prostitutas com seus atos libidinosos e convivia amorosamente com agiotas e seus atos tão corriqueiros da vida, de trabalho, de comércio e de favores mútuos. 
Sobra, além do mais, para todos que tomam conhecimento dessas injustiças um perigoso dilema: Se vale mais orar bebendo em uma igreja ou beber orando em casa ou num bar? 
A grande certeza, entretanto, para aquele que resiste a essas investidas injustas pela fé, é que em todos os acontecimentos se deve enxergar a vontade e a mão de Deus num possível e eminente livramento de coisas e pessoas que já não somam mais e que lhe podem causar ainda, dores maiores e profundas!
J. Rubens Alves

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

FELIZ É QUEM...

    Quem não sente vontade de progredir, de melhorar aptidões, relacionamentos e as condições materiais e de bem viver? 
A realização de cada um, nesse sentido, acontece através de sua progressão na ordem da vida, não apenas por satisfação, mas como meta de deixar alguma marca na linha da História ou, ao menos, ou algum feito em sua própria vida. Mesmo que um simples gesto de ajuda ou solidariedade a alguém próximo que necessite.
As grandes certezas da existência - o nascer, o viver e o morrer - são etapas que, sem exceção e naturalmente, serão vencidas, independentemente da nossa vontade. Tratam-se do inevitável. Nada podemos fazer com relação a essas certezas. 
Por isso mesmo, não basta apenas o nascer, o viver e o morrer. É latente, em cada um, a necessidade de outros feitos, sejam quais eles forem, para marcar a passagem pelo mundo. Algo como dizer: "Olha, eu passei por aqui...". 
A maioria, todavia, levada pelas exigências dos sistemas e dos modismos do mundo, fixa suas metas de progresso só e restritamente no âmbito temporal e material. De maneira equivocada, quase todos acabam convencidos de que sua meta final seja amealhar apenas resultados materiais. 
Empenhados em acumular bens, abarrotar os "silos" de riquezas se esquecem do seu outro lado, o espiritual, certos de que a realidade que vivem é a verdadeira realidade não existindo outra além dela! Vale apenas aquilo que se pode ver, tocar e possuir. Nada vale o "ser", mas somente o "ter" e o guardar no baú envelhecido. 
Mesmo eu, consciente daquilo que escrevo e transmito, tenho que ficar vigilante para não cair nas ciladas da “Maria vai com as outras”, pois para cair na angústia e no estresse basta um descuido! 
Vale a reflexão: quantos na sociedade, na função que cumprem, no poder que exercem transgridem as leis fundamentais de Deus e outras tantas leis dos homens para atingir metas, realizar sonhos, resguardar direitos e satisfazer desejos preterindo convicções, amizades e relacionamentos? 
Para alcançar a verdadeira alegria e a felicidade é preciso, entretanto, reconhecer que a plenitude nesses sentimentos só será atingida quando o progresso, em especial o material, é conduzido e fundamentado nas leis maiores da ética, da justiça, do amor e da partilha. São essas, sabe-se muito bem, as próprias leis fundamentais de Deus. 
O reino espiritual a ser conquistado, ainda nesta vida, se baseia no tripé do amor, da justiça e da paz, porque quem pratica o amor promove justiça e quem vive de justiça constrói a paz. Isso mesmo, tão simples assim! 
Quem dessa forma procede, calmamente cursa os rumos de sua existência, caminha tranquilo ao encontro de sua alegria e felicidade plenas, na certeza de que não deixou atrás de si amontoados de seres esmagados e transgredidos. Pessoas próximas esfaceladas por soberbas e avarezas.
Estará consciente de que não quebrou sentimento algum com sorrateiras ‘puxadas de tapete’, acusações desnecessárias, quebras de confiança. 
Conhecerá, enfim, a verdade contida no cântico do salmista que diz: "Feliz é quem na Lei do Senhor Deus vai progredindo", não só na juventude, mas em especial na idade avançada, na qual a sabedoria deveria ser maior. 
Nessa Lei não há espaço para maldades, mentiras e safadezas!
J. Rubens Alves

terça-feira, 9 de outubro de 2012

PROFUNDIDADE DAS CRISES


A maioria das crises, independentemente de onde e como surgem, nasce de divergências de pensamentos, de comportamentos, de valores e de interesses.
As crises são momentos e situações tensas. Difíceis de contornar e resolver provocam desgastes extremos nas partes envolvidas. Caem com raio sobre cabeças, grupos e nações.
Mesmo que seja meramente existencial, isto é, crise vivida por um indivíduo solitário, isolado com seus problemas íntimos, a crise provoca grandiosos prejuízos e estragos em quem as experimenta.
Os nefastos prejuízos são sempre maiores quando uma crise envolve grupos, comunidades, governos e países. Se não são controladas no início podem levar à degradação, ao caos e destruição integral os que nela forem envolvidos.
Nos tempos atuais, é possível perceber focos de divergências bem próximos de cada um potencializando crises mais profundas.
A profundidade das crises, sejam de qualquer origem, é diretamente proporcional à extensão das divergências e dos problemas que as provocaram.
Quando, porém, as crises são analisadas sob ótica crítica e cuidadosa, diminuem de dimensão porque, no fundo, se percebe que elas surgiram de situações insignificantes ou de critérios errôneos de análise!
O Grande Mestre, quando vivia a plenitude de sua vida pública, permeou entre crises criadas pelas novidades que apresentava ao mundo sobre o Reino de Deus e delas se livrava com sabedoria, para o espanto de todos que presenciavam sua performance.
Em muitas ocasiões, como aquela em que ensinava a “oferecer a outra face”, o Senhor queria sugerir uma flexibilidade na análise de situações adversas, isto é, mais do que tomar uma atitude subserviente queria dizer “analisar a situação de agressão sob outras luzes e formas” para que sejam antes entendidas e depois sanadas.
E Ele sempre está certo! Se cada um seguir este ensinamento vai perceber que a maioria dos problemas e crises tem um quilometro de extensão por um centímetro de profundidade!
O que pode destruir não é a extensão do ferimento, mas a sua profundidade!
J. Rubens Alves

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

BUSCAR MAIS AO ALTO


Vale a pena imprimir um esforço continuado na transformação radical de conceitos e mentalidades que nos escravizam e, assim, buscar um grau acima em nossa progressão espiritual porque estamos convictos, lá em nosso íntimo, que a constante e elevada vibração espiritual é que, em verdade, nos transmite vida.
Mesmo se mantivermos costumes voltados para uma religiosidade, que geralmente se restringem aos atos mais corriqueiros de expressão de fé poderemos, em certo momento, sentir um distanciamento da nossa verdadeira Fonte de Vida e um vazio inexplicável.
Em alguns momentos estamos alegres e felizes, conseguimos manter nosso espírito em oração e intensa espiritualidade desfrutando, assim, um período de paz deliciosamente transcendental.
Isso acontece porque somos arrebatados para a fase mais próxima de nossa verdadeira condição de filhos de Deus.
A vida na matéria  não é ruim, mas como ‘ser total’ - nós somos inseparáveis do plano Divino (do qual fazemos parte integrante e não podemos nos evadir) - sentimos como uma saudade de algo que não conseguimos ver e tocar.
Quando nossa condição humana se vê transportada para mais próximo de sua verdadeira origem, através de momentos de intensa meditação e oração, temos aí alterado nosso estado de percepção e de consciência.
A superação da nossa condição humana - o ser simplesmente matéria - acontece, contudo, no tempo certo para cada indivíduo, de acordo com seu esforço neste processo de melhoria, equiparando-se tal como um prêmio intransferível: o de ascender ao nível maior de espiritualidade.
Quando isso ocorre, acordamos para as enormes potencialidades que existem dentro de nós, atravessando um verdadeiro portal de consciência.
Passamos, então, à maior valorização do amor e do conhecimento, deixando para um segundo plano, outras preocupações de nossa vida temporal. Eliminamos o medo da morte. Começamos a sentir que todo o universo é interligado por uma mesma origem. Aprendemos a tomar o controle pelo rumo de nossa existência, utilizando verdadeiramente o livre arbítrio. Sobem, em nível de importância, outros valores: o amor à própria vida, ao próximo, pela natureza e por toda a criação. Passamos a viver uma busca incansável e insaciável de espiritualidade cada vez mais profunda. Passamos a sentir que o universo é amigo, benevolente e seguro.
O vislumbre de que existe Algo Maior do que nós, amparando-nos e unificando o universo é psicologicamente central à experiência humana. Nutre nossa alma, cura a sensação de abandono, separação e isolamento e reconstitui a nossa alma.
Esse é um processo restaurador e auto-organizador. Nos dá segurança e uma referência clara onde devemos chegar. Deixamos de ser peregrinos errantes, sem destino.
Esse processo de busca e encontro é tão organizador que, em fato real, vemos o que ocorreu com Paulo, que viu sua vida toda ser reestruturada quando foi arrebatado até o terceiro céu. Ele próprio narra, claramente, o episódio que marcou sua vida em 1Cor 15,35-55 e 2Cor 12,1-(4). É só conferir.
Ele não precisou morrer na carne para subir e conhecer outro céu, outra morada.
Nossa vida é alimentada, desde crianças, por uma espiritualidade irreal, através de conceitos prontos. Concebemos Deus como nosso Pai, Jesus como nosso irmão, personagens distantes e, por isso, nos frustramos e nos sentimos limitados, impotentes e sós.
Para aquele que não supera as limitações de conceitos religiosos, através de entendimento e progresso espiritual, sobram sentimentos pequenos de impotência, de infelicidade, de tristeza, de solidão. Sente uma fragilidade incontrolável por ser simplesmente humano, atrasando a sua posse de herdeiro da condição de filho de Deus.
Na verdade, nós todos sentimos que há algo de muito Maior entre essa vida nossa e o que verdadeiramente nosso íntimo tende a alcançar.
Existe, além de nós e do que realmente vivemos, algo de muito Superior, que ainda não conseguimos ter uma idéia muito clara, mas da qual temos, em alguns instantes, relances que nos dão uma sensação de plenitude e de intenso amor, de grandiosa felicidade, de intensa paz e de uma inexplicável sensação de bem-estar.
Quando estamos a sós, é possível sentir todas essas sensações se conseguirmos nos fixar num plano espiritual mais elevado.
Juntos, através de união de um grupo, é possível fortalecer essa capacidade de energia espiritual. O simples fato de vivermos em estado de união e oração, nos traz certeza da presença de Deus em nosso meio.
Fazemos parte de um plano grandioso, muito maior do que essa fase de nossa existência. Fomos escolhidos por Deus antes de nosso nascimento e depois, em herança recebemos um cheque em branco do Filho do mesmo Deus.
Uma de nossas falhas é não tomar posse dessa herança, não descontar esse cheque em branco. É importante sentir que fazemos parte de todo esse processo Divino.
Urgente é tomarmos consciência de nossa verdadeira identidade e partilhar nossa experiência individual com cada um daqueles que cruzarem nossos caminhos.
Todo dia, o presente de amanhecermos vivos já é um motivo de buscar, mais lá no alto, aquilo que tanto desejamos!
J. Rubens Alves

domingo, 2 de setembro de 2012

PREVISÃO DO TEMPO


Sensivelmente se percebe a brusca mudança nas estações do ano, provocando calor escaldante no outono, frio excessivo na primavera ou secas duradouras no inverno.
Ficam apenas na lembrança os agradáveis climas que nos presenteavam com temperaturas amenas e agradáveis nos fins dos dias de verão ou meia estação.
As tempestades de verão, entre dezembro e março, antes rápidas, vêm revoltas destruindo sem avisar ou prevenir.
Apreensivos, somos bombardeados com notícias preocupantes dando conta que a situação pode ser mais grave do que parece.
Além dos problemas cíclicos, outros se tornaram crônicos, tal como o da escassez de água em todo o planeta, prevista para dentro de um futuro bem próximo
Os cientistas já não se preocupam tão somente com a seca ou períodos de estiagem. Eles estão agora concentrados num assunto mais grave, batizado como desertificação, isto é, escassez de água potável para o consumo e com seca perene que destrói a fertilidade da terra, deixando-a estéril para produzir.
Diante de previsões de calamidades destas proporções, nos sentimos temerosos, impotentes e pequenos.
Passamos a sentir dois tipos de sede: a física que preenche as nossas necessidades biológicas e a sede espiritual pelo poder de Deus que pode nos livrar de tais desastres.

E reconheçamos que tudo acontece pela ação insensata do próprio homem, principal agente da destruição dos mananciais e da natureza. 
Tornamo-nos, através do medo que sentimos com essas previsões sombrias, mais cuidadosos.
E quando o temor abate, quando temos conhecimento de calamidades, pestes, guerras e matanças, prontamente nos lembramos de Jesus nos exortando a estar atentos: “Quando virdes todos esses sinais... estais preparados...”!
Se estamos preparados, dispostos a sentir o significado de todos esses sinais dos tempos, afinando a sintonia com as necessidades do espírito, olhamos em nossa volta com mais atenção, percebendo que o clima está alterado também nos nossos relacionamentos intra pessoal, isto é, o relacionamento entre 'eu e eu mesmo' e que sempre prejudica o relacionamento inter pessoal, isto é, o relacionamento com cada um daqueles com os quais convivemos mais proximamente, incluídos aí esposo, esposa, filhos.
A alienação total, o materialismo exacerbado, o consumismo incontrolável, o imediatismo que angustia, afetam diretamente o clima de nossa vida, porque são ações provocadas pelo Mal em nossas vidas.
Se não vigiarmos e orarmos, estaremos sofrendo variações incontroláveis de clima, ora nos transbordando por enchentes de amor e compreensão, ora nos tornando frios, calculistas e insensíveis, congelando a ação do Espírito de Deus em nós. Num sentido parecido: nos tornamos deserto, onde nem mesmo a semente da Palavra tem chance de germinar.
Os sistemas de hoje e as ações tão comuns deles decorrentes procuram nos afastar de nossos princípios cristãos, éticos e de cidadania destruindo, por fim, nossa base familiar.
A ação de recuperação e de prevenção de desastres em nossas vidas, requer esforço obstinado e conjunto, a começar pela união e o amor do casal por si e por sua família, substituindo qualquer nicho de escuridão pela Luz da Palavra, através do diálogo, oração contínuas e gestos de verdadeiro amor.
J. Rubens Alves

sábado, 18 de agosto de 2012

DETALHES DIVINOS


Não esqueçamos: devemos ser luz para o mundo!
Às vezes nossa chama fica ao ponto de apagar. Sufocada pelo ar viciado do dia a dia nossa luz é ofuscada e se dispersa, sem produzir efeito. Não conseguimos brilhar mais. Em nossa volta ninguém nos reconhece, nem identifica.Para dar vida à nossa chama interior, coisas simples são suficientes, se ainda não perdemos de todo nossa sensibilidade. Basta pouco para que nossa sensibilidade seja capaz de captar uma força renovada que pode vir através de uma pessoa, um breve artigo ou algum conselho.
Se algo simples nos faz bem, poderá também fazer bem aos outros; poderá servir de lampejo novo.
Caminhamos pela estrada da vida sem perceber o que nos circunda. Então, a existência se torna uma longa caminhada, tão exaustiva que nos leva quase a desistir, porque não somos capazes de sentir simplesmente a vida!
Essa estória que circula em palestras, bem serve como exemplo do que desejo transmitir com relação a sensibilidade que cada um deve apurar: 
"Certo dia, um chinês chamado Lailai tomou uma resolução: iria dedicar sua vida à meditação. 
Decidiu ingressar num mosteiro no alto de uma grande montanha, com objetivo de encontrar a iluminação espiritual. Viajou muitos dias e, ao chegar em frente ao portão principal do mosteiro, encontrou aquele que seria o seu mestre. 
Lailai foi recebido com muito amor pelos monges que há muitos anos viviam por lá e dizia a todos: - Vim para buscar minha luz espiritual.
Passados alguns anos, o monge Lailai começou a ficar descontente com sua situação, pois não conseguia encontrar o caminho da luz, sentia-se o mesmo. Procurou o mestre e disse-lhe: - Amado mestre, ensinaste muitas coisas belas e importantes nesta minha caminhada, mas ainda não consegui alcançar a iluminação em minha vida. Quero desistir da vida de monge e voltar para a minha aldeia. 
E o mestre respondeu: - Tudo bem, Lailai. Já que você está desistindo desta vida de meditação, quero lhe acompanhar na descida da montanha. Amanhã, às 4 horas da manhã, estarei esperando no portão principal do mosteiro.
No horário marcado, Lailai encontrou-se com o mestre. 
Ao sairem do mosteiro, o mestre perguntou a Lailai: - Querido filho, o que estás vendo neste momento? 
Respondeu Lailai: - Mestre, vejo o orvalho da madrugada, o cheiro das flores, o céu estrelado e uma lua maravilhosa. 
Continuaram descendo a montanha. Passada uma hora de caminhada, o mestre pergunta: - E nesta parte da montanha, o que está vendo?
Respondeu-lhe Lailai:- Vejo os primeiros raios de sol, escuto o canto dos pássaros e sinto a doce brisa da manhã penetrando em todo o meu ser.
E assim continuavam a descer a grande montanha. Passadas algumas horas, o mestre voltou com a mesma pergunta, e Lailai assim respondeu: - Mestre, neste trecho da montanha sinto o calor do sol, o som do riacho, o orvalho evaporando e os animais silvestres em harmonia com toda a natureza.
Seguiram a caminhada. Chegaram ao pé da montanha ao meio-dia. E mais uma vez, o mestre fez a mesma pergunta, e Lailai respondeu: - Mestre, vejo como a montanha é bela, as árvores da floresta, o riacho doce que circunda o vale, o camponês cuidando da plantação de arroz. Vejo, também, uma criança feliz brincando com o seus amigos.
Então, o mestre lhe falou: - Agora você já poderá voltar para o mosteiro.
Espantado, Lailai perguntou qual seria a razão da volta ao mosteiro.
Respondeu-lhe o mestre: - Porque você já encontrou a Luz.
- Como assim?, questionou Lalai.
- Muito simples - repondeu o mestre - Em cada etapa da descida da montanha você percebeu a importância de cada detalhe da natureza, compreendendo os seus sons, seus odores, suas imagens, suas cores e sua vida."
Assim, portanto, é que devemos ver e interpretar esta longa caminhada. A isto tudo, nós chamamos de iluminação espiritual.
A cada degrau da vida, veja a beleza que ela oferece. Encontrar em cada pequeno detalhe da vida, um significado divino. Além de reavivar a chama interior, expandiremos nossa luz para todos. Uma luz colocada sobre o alto para que ilumine a todos.
J.Rubens Alves


terça-feira, 31 de julho de 2012

IGUAIS DIFERENTES

Aconteceu ao levar um amigo para casa. Ao estacionar o carro, mesmo antes que descesse para me despedir, fui abordado por uma moça ainda jovem, bastante judiada na aparência e no asseio. Dizia que precisava completar o dinheiro para comprar um remédio para sua filhinha. 
Sem analisar se a estória de sua necessidade era ou não verdadeira peguei, continente, no console do carro onde sempre deixo algumas moedas, duas delas, sem mesmo ver o seu valor. A garota, ao estender as mãos, exibiu vários pontos de queimaduras em seus dedos, claramente sugerindo que era viciada, possivelmente em ‘crack’. 
Para minha surpresa e de meu amigo que, ao lado, observava toda cena, a garota esboçou um irreverente sorriso e, devolvendo-me as moedas com rara petulância, proferiu rudemente que ‘aquela quantia não lhe interessava e que as desse para outro idiota’, não para ela. Feito isso, deu de ombros e virou-me as costas, embrenhando-se por outra rua. Ficamos ali perplexos, por alguns instantes! 
Logo após esse inóspito episódio, estacionei o carro em outra rua para comprar os pães para o lanche da tarde. Ali é comum a presença de garotos que se oferecem para ‘olhar o carro’. 
Ao retornar da compra, como que numa reprise da cena que acontecera há apenas alguns instantes, novamente fui abordado por um deles que pedia ‘algum dinheiro’. Igualmente, era judiado na aparência e no asseio. 
Agora, propositada e conscientemente, peguei aquelas mesmas duas moedas rejeitadas pela moça e entreguei-as ao rapazote. Para minha surpresa ouvi de sua boca, esboçando um feliz sorriso, “obrigado, que Deus o abençoe”. 
Dois fatos isolados, mas parecidos. Pessoas da mesma classe social, excluídos e, de certa forma, carentes de um olhar, de uma ajuda. 
Apesar de iguais em sua essência e no seu aparente perfil são, entretanto, totalmente diferentes no grau e na maneira de aceitarem e conviverem com suas misérias e dificuldades. Ele pede pela necessidade de nutrir-se, ela para ‘alimentar’ o vício. 
Quilômetros de diferenças interiores separam as duas personagens, em especial, na espiritualidade, na forma de reconhecer tudo aquilo que Deus lhes concede a mais ou a menos. Um bendiz, enquanto o outro amaldiçoa. 
Assim, de posições sociais diferentes, mas semelhantes a esses dois jovens, quantos deixam de receber tantas bênçãos e dádivas que imploram ao Céu, por esperá-las apenas em grandes proporções, deixando de reconhecer e acolher, aquelas que são concedidas na forma de pequenas manifestações em suas vidas, tal como é o próprio dom do 'simplesmente viver'. 
Abrem mão de tantas pequenas alegrias verdadeiras, em troca de buscar e viver apenas atrás de grandes realizações, prazeres e resultados. 
A intensidade do viver, a alegria e paz em plenitude não dependem do grau ou posição social e cultural, e sim do grau de aceitação, sensibilidade e espiritualidade de cada um. 
Em verdade, ‘o sol nasce para brilhar sobre os bons e os maus’, comprovando que todos são iguais para os dons e graças da Vida, bastando a cada um optar por viver na luz ou nas sombras. 
Um viverá, o outro certamente perecerá! 
J. Rubens Alves

sábado, 14 de julho de 2012

VALE SONHAR

Quantos manifestam desesperança com relação ao futuro! Essa postura de desilusão se manifesta com o inconformismo em relação aos atos de violência, selvagerias e injustiças que se espalham ao redor do mundo.
Não faz bem para ninguém, entretanto, ficar somente lamentando o mal que aí existe e sempre existiu, pois isso só serviria para alimentar o lado negativo. Nem o mundo se beneficiaria com posturas de desalento.
Ao contrário, cada um deve revestir-se de boas energias e alimentar esperanças.
Vale sonhar sobre as possibilidades de transformar o mundo. Se não em sua totalidade, que seria impossível, ao menos cada um ao redor de si mesmo.
Não se operam milagres sem atitudes, sem mudança de comportamento e de cultura. E tudo isso acontece através da educação a partir da família, da escola e das instituições.
Somente mudando-se a maneira de enxergar o mundo e utilizando-se com inteligência o que ele oferece de possibilidades é que se consolidarão as melhorias sonhadas.
Isso não ocorrerá se essas mudanças não acontecerem antes em cada um, modificando a partir de si a maneira de ver e interpretar o que ocorre em sua volta, se conscientizando em primeiro lugar, do seu verdadeiro papel neste mundo.
Dessa forma, o sonho de transformação se realizará em plenitude.
Não há sentido cada qual passar a vida inteira buscando apenas se resguardar e indicando que há algo errado. É preciso mudar algo a partir de si.
É preciso definitivamente lançar um olhar com horizonte mais amplo e, a partir de então, tomar uma atitude positiva que gere frutos de solidariedade, de partilha e amor.
J. Rubens Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2012

SEMPRE É TEMPO


Era nosso costume estacionar o carro nos arredores de nosso trabalho, em especial numa rua com fluxo baixo de trânsito. 
Tal como eu, minha esposa e filha também estacionavam ali e nenhum entre nós imaginaria que este procedimento tão comum pudesse se transformar, algum dia, em pretexto para discórdia e atos de agressividade. 
Um dos proprietários de certo estabelecimento comercial passou, costumeiramente, a proferir xingamentos a mim e à minha filha. Diante de vários incidentes agimos com bons modos, sem revide, procurando ignorar as provocações daquele senhor que, apesar de formação diferenciada, se mostrava descontrolado e descia dos patamares da boa educação sempre que percebia nosso carro estacionado em frente ao seu negócio. 
Certo dia, pequena parte do para-choque traseiro avançou sobre a guia rebaixada de sua garagem. Apesar desse detalhe não impedir a saída ou entrada de veículos, aquele surtado senhor chamou fiscais de trânsito para multar e rebocar nosso veículo. 
Os vizinhos, inconformados com aquela atitude nos avisaram em tempo para evitar a remoção do veículo, mas a multa foi aplicada.
Aquele estranho indivíduo, entretanto, não satisfeito, continuava a desfiar seu virulento palavreado contra nós, esboçando seu sarcástico sorriso. 
Minha filha irritada com a situação estava prestes a perder a compostura com aquele indivíduo. Convenci-a para que entrasse no veículo e o conduzisse para outro lugar. 
Voltei-me, então, para aquele moço agressivo e descontrolado convidando-o a refletir sobre sua atitude tão agressiva, antissocial e, acima de tudo anti-cristã. 
A partir daquela data nunca mais estacionamos ali o veículo evitando, até mesmo, em caminhar por aquele trecho de calçada, para não alimentar outros incidentes. A cada nova provocação, fazíamos questão em responder com silêncio e mansidão. 
Nos últimos tempos não o vimos mais nem ali ou em outro lugar.  Nossos caminhos não mais se cruzaram. 
Quase cinco anos se passaram e nem lembrávamos esse transtorno.
Surpreendentemente minha esposa, há alguns dias, entrou no escritório com olhar surpreso, para avisar que alguém desejava falar-me. Segundos depois, ali diante de mim, estava aquele mesmo moço, agora abatido e com olhar melancólico, me pedindo o perdão. Disse-me que, durante o tempo transcorrido desde aquele destempero, a esposa lhe pedira separação, ele por sua vez fracassara no trabalho e se considerava agora doente do corpo e da alma, numa prova viva e cabal de que a maioria das doenças advém do ranço e remorso que cada qual guarda em seu coração. 
Aflito, tentou relembrar todo o ocorrido, mas não o deixei continuar. Simplesmente abracei-o e pedi que fosse em paz, desejando-lhe que Deus, em sua misericórdia e bondade, lhe concedesse a graça de recobrar novamente a luz e a paz para sua vida e sua família. 
Sob dois aspectos esse acontecimento maravilhoso deve ser motivo de imensa alegria: por um lado ali estava uma pessoa que verdadeiramente reencontrou o caminho de volta para Deus e para a Vida, através do arrependimento e da atitude despojada e humilde de pedir o perdão; por outro, a oportunidade em reconhecer que Deus se manifesta em ato contínuo nas nossas vidas, colocando-nos em situações pelas quais somos provados quanto a nossa medida e capacidade de acolher, perdoar e amar. 
Essa experiência real, recentemente vivida, comprova a necessidade de estarmos sempre preparados para o acolhimento e para o perdão incondicional a qualquer um, colocando fim ao ciclo vicioso que se instala, pela ação do Mal, no relacionamento entre seres humanos.
Devemos acreditar na capacidade de sermos magnânimos e praticantes da lei do perdão, a única que alimenta o amor, a justiça e a paz duradoura! 
Afinal, somos nós os potenciais construtores da paz neste mundo para, em consequência, conhecermos a Paz do Alto! 
J. Rubens Alves

segunda-feira, 4 de junho de 2012

QUEBRADORES DE PEDRAS


Em palestras para grupos desmotivados, em especial para os jovens, gosto de partilhar uma narrativa antiga, na qual as personagens são três homens simples e rudes, todos quebradores de pedras. Três trabalhadores que exerciam exatamente o mesmo trabalho, mas com espírito diferenciado e com grau distinto de noção e motivação quanto ao serviço que prestavam. 
"Ao me aproximar deles, todos suados pelo árduo e pesado trabalho, perguntei ao primeiro homem o que ele fazia. De maneira muito grosseira, sem ao menos erguer a cabeça, respondeu: "- Estou quebrando pedras, oras..."
Dirigi, então, a mesma pergunta ao segundo trabalhador. Este, também de maneira pouco amigável e com expressão de raiva, respondeu entre os dentes: "- Não está vendo? Estou trabalhando". Dirigi-me ao terceiro com a mesma indagação. Este, parando de quebrar as pedras, limpando o suor da fronte com as mangas de sua surrada camisa, levantou os olhos e com um sorriso aberto e amigável me respondeu: "- Estou trabalhando, quebrando as pedras para construir uma bela catedral e desejo vê-la pronta!". 
É esta cena que acontece com a maioria das pessoas: por falta de sensibilidade espiritual elas não conseguem enxergar o verdadeiro sentido de suas ações. 
Sua vida e seu trabalho são destituídos de sentido verdadeiro, porque a motivação, se ainda ela existir, está direcionada apenas para a busca de resultados materiais pela sobrevivência. 
O trabalho cotidiano e quase a totalidade das ações diárias visam somente o suprir carências materiais. O resultado, do trabalho e das ações em si, serve para mascarar os medos cotidianos: medo da violência, medo da doença, medo...medo... 
Não se trabalha mais para construir catedrais, belas famílias, belos sonhos. Trabalha-se hoje para pagar os seguros do carro, da saúde, da casa, da previdência e tantos outros, porque a crença de hoje é que o ser humano já nasce doente, inseguro e irremediavelmente perdido. 
A sensação sobre o fruto do trabalho, ao final de cada jornada, é como se estivesse colocando os resultados em um saquitel furado. A sensação de vazio e perda será bem pior, caso não se coloque um sentido mais profundo em tudo aquilo se faz na existência: da ação mais simples do cotidiano, como por exemplo, passar um café pela manhã, até aquela mais qualificada no trabalho profissional. 
Somente neste treino, de se colocar um sentido mais profundo, um amor verdadeiro naquilo que se faz, é que poderá ser encontrado um caminho mais iluminado e prazeroso para  o viver plenamente a vida. Diante das exigências do mundo moderno que constituem o maior empecilho para vidas com mais amor e espiritualidade, assumir uma postura de mansidão e amorização diante das 'cruzes' que surgem a cada dia não é nada fácil. 
Será, portanto, um processo lento para modificar-se a mentalidade, aumentar a firmeza de propósito e tomar uma nova atitude diante do que a vida propõe. 
Essa proposta evitará a repetição inócua do ser simples quebrador de pedras e levará cada um, renovado diante da existência, a se transformar em construtor de catedrais e realizador de sonhos! 
J. Rubens Alves

quinta-feira, 31 de maio de 2012

CANTO DE ALEGRIA

Todos deveriam aceitar e partilhar com outros o poder e a grandeza de Deus manifestadas de várias formas em suas vidas, num gesto de reconhecimento e ação de graças. 
As maiores alegrias do ser humano, em especial a paz de espírito, têm origem divina. Todo aquele que assume com humildade a limitação humana, reconhece que é pequeno, não é dono de si e toma consciência de que Deus se lembra de cada um, manifestando seu poder de libertação e de graça! 
Quando o ser humano se apossa desse conhecimento é abençoado diante de toda a humanidade, e esta vislumbra as grandes coisas que o Poderoso faz a cada um que o reconhece, em sua experiência individual, como único Senhor. 
Tudo que procede de Deus é santo e abençoado para a vida do pequeno ser humano. 
O Senhor demonstrará Sua bondade para aqueles que o amam, em qualquer tempo que passou ou que ainda virá, para que assim seja glorificado em todas as gerações. 
Em defesa de toda pessoa que pensa e age com reconhecimento à Sua bondade, Deus levanta a Sua mão poderosa derrotando orgulhosos e malfeitores que tentam fazer mal para aqueles que o reconhecem como Deus e Senhor. 
A vida mostra que, pela ação Divina, reis, governos e poderosos são depostos de suas altas posições e, em contrapartida, muitos humildes, mas confiantes no Senhor, seguem em frente, independentemente das posições que ocupam. E isso acontece em ações que, às vezes, nem são compreendidas pela razão humana. 
Mansos e humildes, sem dúvida, enfrentarão dificuldades como falta de emprego e outras angústias, porém Deus dará fartura preservando a vida e o pouco que possuem esses justos que o amam de coração. 
E são conhecidos muitos casos de ricos e poderosos, que se consideravam auto suficientes sem enxergar além do umbigo, que acabaram sem nada, com as mãos vazias, para sua vergonha diante das nações. 
Isso tudo acontece porque Deus não mente e sempre cumpre as promessas que fez aos nossos antepassados, no início da história do seu povo, até hoje. 
E, garantidos nessa promessa, todos sentem mais segurança, porque crêem que Deus sempre se lembrará de mostrar Sua bondade, por todo sempre, para aqueles que o recebem como seu Deus, o respeitam e o temem. Os que assim procedem, exultarão com um cântico de alegria!  
J. Rubens Alves

domingo, 13 de maio de 2012

VERDADEIRA PAZ

O mundo material é fantástico. É maravilhoso tudo o que ele oferece. É uma fábrica de desejos. E quanto mais desejos, maior a possibilidade do ser humano se tornar infeliz e angustiado.
A infelicidade e angústia nascem a partir da incapacidade de se ter tudo aquilo que o mundo materialista oferece.
Quanto mais apegado e desejoso, mais o ser humano se torna infeliz, irritado e até violento. Alguns partem para a criminalidade, pois desejam conseguir imediatamente, num piscar de olhos, tal como acontecem em filmes e novelas, tudo o que se consegue ao longo de uma vida, pelo trabalho. É mais simples para esses, tirar do outro com violência, arma e atentando contra a vida.
E assim, quanto mais se debate para ter, o ser humano mais afunda em suas falsas ilusões. Esquece de avaliar a realidade e que nada mais é do que um ponto no Universo.
Na verdade, há algo muito maior entre a vida e aquilo que verdadeiramente o íntimo do ser tende a alcançar. Algo muito Superior, sobre o qual ainda o ser humano não consegue ter uma idéia muito clara, mas que em alguns instantes, vagos relances lhe proporcionam sensação de plenitude e de intenso amor. Algo Superior, fonte de grandiosa felicidade, de intensa paz e de uma inexplicável sensação de bem-estar. Paz que o mundo não pode oferecer.
Não é preciso, entretanto, fazer chantagem com Deus quando não se consegue aquilo que  se deseja mesmo para encontrar paz e segurança.
Estar só, em recolhimento, de vez em quando, torna possível o vivenciar de todas estas sensações, pois assim se consegue ascender a um plano espiritual mais elevado.
Assim, fica mais fácil controlar os desejos puramente materiais. E aí bingo: diminuem-se os desejos anulam-se, em contrapartida, muitas angústias e sofrimentos que só existem pelo excesso de desejos não realizados. 
É só refletir: o sofrimento advém de desejo não realizado. Através da aceitação de situações de privação, aprende-se a ser mais feliz! Sempre há um fundo onde apoiar os pés! Então, é possível viver a verdadeira paz! 
J. Rubens Alves


segunda-feira, 30 de abril de 2012

ESPIRITUALIDADE MAIOR


Quando o ser humano atravessa o portal da sua natureza, descobrindo a sua maravilhosa e verdadeira essência acorda, então, para a enorme potencialidade que existe dentro de si e transcende. Passa valorizar o amor e o conhecimento, deixando para um segundo plano, outras preocupações da vida temporal. 
Elimina, entre outros elementos prejudiciais, o medo de certas situações, em especial da morte. Assume outra consciência.
Começa a sentir a sensação de que todo o Universo é interligado por uma mesma origem e que ele faz parte dessa grandeza. Percebe que apesar de sua pequenez faz parte de um todo Maior! 
Assume o controle pelo rumo de sua vida e de sua história utilizando-se legitimamente do livre arbítrio. 
Sobe em seu conceito os valores pela vida, pelo mundo. Entende que viver, consiste em fazer tudo por amor e que todo dia é uma etapa pela busca incansável e insaciável da Espiritualidade maior. Descobre um Mistério Cósmico por trás de toda a existência, inclusive a sua e que, através deste enigma, é que se revela o Divino. 
Vislumbrar que existe a Essência Maior do que ‘seu eu’, unifica, ampara e nutre sua vida. 
Enfim acaba libertando-se e conseguindo cura para sua sensação de abandono, de separação e isolamento. 
Quando consegue sentir essa Essência, quando encontra Deus, cada ser humano terá reconstituído a verdadeira identidade agregando-a à sua alma. 
J. Rubens Alves

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PORTA DO CORAÇÃO

Muitos me abrem o coração. Acham que mesmo bem sucedidos, bem casados, com família maravilhosa, não conseguem se desvencilhar de certa angústia que lhes massacra o coração. 
Dizem que buscam a causa para tal sofrimento no companheiro, nos filhos, naquilo que faz e no relacionamento com o seu meio. Não conseguem, contudo, encontrar a resposta, motivo que lhes aumenta essa ânsia incontrolável. 
Quase todos sentem um imenso vazio por dentro. Sofrem de pavor, ansiedade e insônia. Trabalham muito. Pensam em tomar medicamentos. Quando falam com outros amigos sobre esses problemas, alguns compreendem, mas não conseguem ajudar. Procuram, então, outras terapias e praticam atividades com as quais jamais haviam sonhado. Em sua maioria continuam atormentados. E, por incrível que pareça, a maioria dessas pessoas temem, no fundo, o avanço do tempo em sua vida, sabedores que, mais cedo ou mais tarde, se defrontarão com o que há de mais previsível na humanidade: o término, o seu ou de quem está ao lado, da existência! Qual a razão de tanta amargura? 
Procuro, por minha vez, abrir-lhes os olhos e o coração para pequenos grandes detalhes. O primeiro lugar que devem buscar respostas é dentro de si mesmo. Lá no recôndito da alma onde se encontra o caminho para a paz e a felicidade. 
Os problemas não se originam do marido, dos filhos, do meio. Eles nascem dentro de cada um, onde estão armazenadas as impressões equivocadas da vida e dos valores. 
Nesta sugestão, também entra a Fé. Deve-se colocar Deus no meio da vida, ou melhor, dentro de si. Para isso é preciso cada um, como medida imediata, esvaziar-se por completo de si mesmo, de seus desejos mesquinhos, para que Deus possa, então, preencher esse vazio e se expandir em luz e energia divinas. 
Não é preciso compreender esse processo, basta aceitar essa entrega de si. A Providência de Deus os fará compreender essas coisas. A Providência Divina sempre se faz presente em nossas vidas, desde que estejamos com olhos e ouvidos atentos para perceber e entender. 
Alguns tentam o coração do próximo para ver se ali descobrem Deus. Em verdade, o encontro verdadeiro com Deus e com a paz se dá através das portas do próprio coração. Então de dentro ecoará uma linda melodia... 
J. Rubens Alves


domingo, 1 de abril de 2012

CONFUSÃO MENTAL

"Como o exemplo e testemunho de vida semelhante ao de meu pai, a maioria rala bastante, por anos a fio. Quase todos conseguem ao longo de trinta a quarenta anos um pequeno patrimônio, longe das grandes fortunas, mas suficiente para oferecer certo conforto e uma aceitável qualidade de vida.
Instalou-se, entretanto, uma mentalidade diferente daquela comum há poucas décadas, quando se aprendia que os bens deveriam ser conseguidos como frutos do trabalho e do suor do rosto.
A tecnologia, em especial a televisão, criou uma realidade virtual onde tudo é possível, de imediato, sem trabalho e sem esforço." Clique aqui para ler texto na íntegra
J. Rubens Alves

domingo, 25 de março de 2012

AMOR E SOFRIMENTO

É impossível encontrar alguém livre de sofrimento. Quando uma pessoa não se queixa de alguma dor física, com certeza, esse alguém é portador de alguma amargura interior cuja dor, muitas vezes, é mais aguda que a do mal físico. O difícil é encarar de frente o sofrimento, seja qual for.
Independentemente do grau diferenciado de espiritualidade que cada um possui, a interpretação humana se sobrepõe na análise destas situações. Quando se tenta compreender o ‘por quê’ de alguns estados doentios da existência, logo se abate a desequilíbrio. Aniquilar-se, sem aceitação para o sofrimento, é o mesmo que flagelar duplamente a vida ou o ambiente ao redor, em ato de desesperança e falta de fé.
A limitação natural do ser humano o faz esvair-se diante do mal que o aflige. A maioria vive, de certo modo, em constante e inevitável questionamento: “Por que o sofrimento?”.
Esta é uma pergunta que cala a quem procura respondê-la buscando as prováveis causas ou uma razão para encarar a amargura.
Essa indagação constante sobre o sofrimento não só acompanha cada ser humano, mas a própria questão sobre o ‘por quê?’ do sofrimento acaba por tornar-se o próprio conteúdo dele. Deixando mais claro ainda: o questionamento contínuo de alguém sobre o ‘por quê?’ do mal que o aflige, passa a ser propriamente o seu sofrimento.
A aflição do ser humano predomina através do mal, da ganância, da traição, das doenças, da fome, das guerras, do desrespeito à Natureza. Toda esta miséria humana, todavia, tem sua causa principal, na ausência de um detalhe: o verdadeiro Amor.
A ausência de Amor é, na verdade, a principal causa da maioria dos males. Resume-se numa equação simples: Quanto menos amor, maior o sofrimento. Isto é uma constatação simples de se fazer.
Somente entenderá essa relação entre sofrimento e amor, aquele que não mais perguntar-se sobre o ‘por quê?’ do mal que o aflige, mas aberto em sua consciência, perguntar-se sinceramente ‘para que estou vivendo esse sofrimento?’.
A partir daí será capaz de compreender que na carência de amor pode estar a razão de seus males percebendo, ainda, que lhe falta algo mais grandioso e transcendente. Algo Maior que independe do poder que acumula, da fortuna que possui, da fama que goza.
E, apesar de relutância, acabará ficando clara a necessidade do abandonar tudo, a sorte e a própria existência, nas mãos de Deus, num gesto grandioso de fé. Através Dele virá o sentido para cada amargura. Com certeza, Ele pode libertar e curar, simplesmente porque Ele é Amor, tal como se auto definiu. Só Ele é nosso referencial de amor.
Aqueles que colocam Amor em seu cardápio diário vivem mais alegres, desprendidos, de bem com a vida e, por cima, vivem saudáveis por mais tempo.
J. Rubens Alves

quinta-feira, 8 de março de 2012

ANTES DO POR DO SOL

Se existe uma coisa nefasta na vida, é deixar alguns de seus capítulos sem final, sem solução.
Em especial as coisas do coração, aquelas pendências sentimentais amargadas pelo ressentimento que se guarda em relação a alguém!
Seja qual for o contexto, tudo o que não é bem resolvido e acertado entre pessoas, se transformará em fardo pesado às costas. Fará mal ao corpo e ao espírito. Será trocar o oásis pelo deserto.
Por isso, nem mesmo entre casal, pais e filhos, entre amigos ou conhecidos, devem perdurar rusgas por qualquer questão!
Se existir algo que estremeça as estruturas de relação familiar ou da relação social carece, então, buscar imediato entendimento e solução, mesmo que esta não seja definitiva.
Ao final de cada dia fatigante, se sobrar algum vestígio de  ressentimento na consciência, não se deve nem pensar ir para a cama e recostar a cabeça sobre o travesseiro. Certamente, aquele que pertencer ao Bem não repousará tranquilo enquanto não acalmar a sua alma.
Antes, com verdadeiro espírito de humildade, aproximar-se-á da esposa, do filho ou de qualquer outro desafeto e tentará, com todas as energias, a reconciliação. Mesmo que não use palavras, buscará exprimir-se naquele momento através de um gesto simples, mas suficientemente carinhoso, que ponha fim ao círculo vicioso e maléfico das diferenças.
Reconhecerá que, entre um dia e outro, haverá sempre uma noite no meio, preâmbulo de outro dia radiante de Luz.
Durante a noite tudo poderá acontecer: um milagre ou, até mesmo, uma brusca separação!
Para essa reflexão, nada mais apropriado do que a seguinte citação bíblica de um salmista: “Nunca deixe o sol se por sobre o seu ressentimento”. Isto quer dizer: não deixe de resolver tudo antes que a noite escura caia sobre você!
Intime-se, agora mesmo, para a reconciliação, seja com quem for. Vale esse sacrifício e esforço, pois ele se refletirá diretamente na sua saúde do corpo e do espírito.
Caso contrário prevalecerá a verdade da frase de William Shakespeare “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.
J. Rubens Alves

sábado, 25 de fevereiro de 2012

P, M, G: PONTO FINAL



Essas letrinhas, tão utilizadas na linguagem escrita servem, também, como marcações para identificar a grade certa para roupas, utensílios, peças e outros objetos.
Através delas, se identificam com facilidade as medidas e tamanhos dos pacotes de gêneros alimentícios, sucos e refrigerantes, de frutas selecionadas.
Muitos preços dos serviços prestados, da mesma forma, são estabelecidos com base em gabaritos de medida, em especial aqueles destinados aos automóveis grandes, médios e pequenos.
Ah os livros. Os livros, muitos os escolhem pelos efeitos artísticos de capa, pelo seu tamanho e grossura, não pelo seu conteúdo.
Aliás, tudo ao redor de nossas vidas está sendo quantificado e medido, algumas vezes em detrimento da qualidade e do reconhecimento. E desculpem, mas até mesmo a sexualidade passou a ser medida em seus atributos, tal como aí está. As maiores taras se resultam desse tratamento vulgar, instigado pelas novelas e filmes.
De maneira geral, o ser humano se acostumou com tudo isso porque, mesmo os seus dons e qualidades, são medidas quando disponibilizados ao trabalho em troca de salário.
Todo esse dimensionamento das coisas é bom e necessário pela facilidade que proporcionam às escolhas e opções e, evidentemente, não há receita que dê certo sem as medidas corretas para cada ingrediente.
Nessa mentalidade, onde tudo tem que ser medido para ser avaliado, será que há espaço de se aceitar que um indivíduo seja meio bom, ou só um pouco mal? A sociedade, apesar de se defrontar com crimes aparentemente mais ou menos hediondos, pode aceitar que crimes sejam encarados como pequenos, médios ou grandes?
É isso, entretanto, que vem acontecendo: imprensa, apresentadores âncoras de programas vulgares de televisão, improvisados ‘doutores’ no direito chocam a urbe com suas teorias e palavras mal colocadas para qualificar delitos e crimes por tamanho e grau, deixando transparecer que uns são passíveis de punição e outros não.
Certo dia, um apresentador desses programas vespertinos marcados pelo sangue e sofrimento, inadvertidamente ao comentar um pequeno furto, expôs que aquele delito perto de outros, não devia nem ser considerado pela justiça. Este apresentador errou, pois crime é crime, não importa o tamanho ou a idade de quem o cometeu. Não existe meio roubo, meio estupro, meio homicídio, meia corrupção ou meia usura. Não se deve diminuir a responsabilidade de omissão dos responsáveis sobre crimes e delitos cometidos por seus dependentes menores. Os crimes não devem ser minimizados diante do poder econômico de quem os comete. A punição deve ser equânime tanto para os baderneiros milionários como, para os miseráveis vândalos carnavalescos.
Outra visão. Como você se sente ao pagar sua conta no supermercado, e a operadora de caixa não lhe devolver os três ou quatro centavos de troco, sem ao menos lhe perguntar se você se importa ou não em deixá-los ali, como sobra de caixa? Você não diz nada, não discorda?
Ora, não importa o valor, sejam quatro centavos ou um milhão, estes são sua propriedade e seu direito e os centavos só podem ser usurpados com seu consentimento.
Assim, é tempo de se resgatar a ordem das coisas sendo delatores e combatentes dessa onda de relativismo que vem afogando a ética e os costumes.
É verdade: nosso País possui leis de primeiro mundo para um povo de mentalidade subdesenvolvida. Nem por isso, contudo, em lugar algum do mundo, se pode admitir o “ser meio bom” ou “o ser meio mal”. As pessoas inteligentes e de boa índole que desejam assim continuar, não podem ser coniventes com as tendências relativistas do tratar o bem e o mal de maneira leviana, onde até os crimes contra a sociedade passam a ser tolerados e caracterizados de pequenos, médios e grandes.
A mudança deve começar com a compreensão básica: crime é crime, delito é delito.
Enfim, bem é Bem, mal é Mal. E ponto final!
J. Rubens Alves

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RAINHAS DO FUBÁ


Em uma passagem bíblica do Livro dos Reis, nos deparamos com a narrativa sobre a Rainha de Sabá, que se eternizou pela doçura de suas palavras e por sua capacidade em aceitar situações, ao procurar o então Rei Salomão, conhecido pela sua tão incomparável sabedoria.
Esse texto (1Rs 10,1-10), narra que a Rainha de Sabá viajou muitos quilômetros até o Rei Salomão, levando grande quantidade de pedras preciosas, ouro e perfumes.
Ela era generosa e reconhecida em suas terras por sua imensurável generosidade. Por onde passava, ela deixava sempre um rastro de perfume e semeava pedras preciosas entre seu povo. De sua boca não se ouviam palavras que disseminassem intrigas, discórdias e desunião.
Assim, atraída pela notícia da sabedoria de Salomão, levou consigo muitos enigmas para que o Rei a esclarecesse a respeito e a deixasse mais sábia.
Maravilhada com a sabedoria que exalava do Rei sobre todos os assuntos de seu reino e sobre as coisas de Deus, bendisse aquele reino, aquela gente e aquele Deus.
Doou, por isso generosa quantidade de perfumes ao Rei e, da mesma forma, deixou ali uma semeadura de ouro e pedras preciosas. Esse fato a deixou conhecida ao longo desses milhares de anos, até aos nossos tempos.
Infelizmente em nosso tempo não conhecemos mais Rainhas de Sabá, mas somos obrigados a conviver com as “rainhas do fubá”, (fazendo um trocadilho com o nome da Rainha original), título que vale tanto para mulheres como para muitos homens que são, ao contrário dessa magnífica Rainha bíblica, reais maledicentes, que gozam em semear em seu meio, a partir de sua família e de seus próximos o pré julgamento, a discórdia, a desunião.
Suas vidas se prestam apenas para ações e palavras impensadas, como pedras de sofrimento sem brilho e valor, que exalam não o perfume, mas o odor da podridão que saem de seus corações frios do amor de Deus.
“O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai de seu interior” (Mc 14,15)
Suas opiniões são frias e calculistas, terrivelmente materialistas, e visam tão somente à comodidade de seus próprios interesses e de resultados financeiros que advenham de suas vãs palavras.
São incapazes de bendizer as pessoas que fazem parte de suas vidas, os momentos bons dos outros simplesmente porque, no fundo, são terrivelmente egoístas e invejosos.
Se as coisas não são como desejam, então nada está bom, nada está certo e soltam indiscriminadamente o verbo, a língua, como um chicote nas costas dos outros.
A cada dia, o nosso mundo está conhecendo mais esse tipo de gente, que mesmo tentando camuflar suas ações como de boa vontade, se traem pelo seu egoísmo, valendo imperar aquele velho ditado libanês: ‘a língua é o chicote do rabo’.
E, só para esclarecer, fubá, sem outros ingredientes, é apenas seco, não acrescenta, só enche e entala na garganta! Deus nos livre de tais línguas!
J. Rubens Alves

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

LONGO ADEUS

Todos os dias alguém, em algum lugar perde outro alguém muito amado. Desde garoto presenciei muitos casos de pessoas queridas que simplesmente partiram. Partiram para outra vida, repentinamente, sem aviso prévio, sem direito a um simples beijo. Nem sequer um adeus.
Em outros momentos vivi ao lado de outros também queridos, que por uma força extra, exalada pelo tempo já esgotado da existência me foi concedido reanimá-los pela fé numa vida nova que os esperava. Um tempo breve, mas suficiente para uma despedida que possibilitou sentir o calor da vida que pulsava enfraquecida em seu ser.
Enfim, os adeuses que marcaram minha vida foram sempre furtivos e breves. Amigos e parentes que cumprindo o período de sua história se foram assim, num estalar de dedos.
Minha sogra, por exemplo, confidenciava que gostaria de uma partida rápida dessa existência e, se possível, sem despedidas, mas com lucidez e jogando cartas. Seu sonho se realizou, tal qual pedira a Deus, numa tarde ensolarada, numa mesa de jogo entre as amigas. Simplesmente recostou a cabeça nos ombros de uma delas e partiu.
Minha querida mãe partiu no último sábado de uma maneira bem diversa. De seus 91 anos de idade, onze anos foram de adeus. Um adeus lento, progressivo e silencioso.
Durante esse tempo em que cumpriu rigorosamente seu papel no plano de Deus teve, certamente, a oportunidade de fazer os últimos acertos, enquanto eu e meus irmãos, a oportunidade de sentir seu calor, de servir-lhe em compensação ao que nos concedeu como legado, de amar-lhe, mesmo que com deficiência.
Mesmo depois que o Alzheimer lhe roubou a lucidez, seus pequenos olhos espelhavam a vivacidade de sua alma e continuavam a emitir a energia da vida e do amor materno.
Nesses onze anos de despedida, lá em casa, uns mais outros menos, puderam completar seu aprendizado do que seja a vida e o gesto de disponibilidade no servir.
Foi exatamente nesse período de sofrimento de todos, dos irmãos e dos cuidadores de minha mãe, em que se manifestaram os mais significativos gestos de amor: adaptações na casa, nos costumes, na dieta, diário com todos os procedimentos, medicamentos, asseio e alimentação e uma infinidade de informações. Onze anos nesse árduo ato de servir!
Com certeza, ali no meio desse amor e carinho, Deus se fez presente o tempo todo.
Assim, na naturalidade do viver e morrer se realizou o desejo de minha mãe, muitas vezes proferido em minha presença: não partir repentinamente desse mundo.
Nunca imaginei que algum dia viveria um longo adeus exatamente com alguém que me amou e que também amei desde que fui concebido.
A todos que sofrem com alguém que padeça do Mal de Alzheimer a minha solidariedade e exortação para que vivam esses momentos cruciais não como encargo, mas com uma grande oportunidade de aprendizado e crescimento. Façam o que estiver ao alcance.
Ao menos, será o viver de um longo adeus de alguém que vocês muito amam!

Depois, mesmos desgastados, juntar toda a riqueza e permanecerem unidos, sem solidão, para a contínua caminhada para a Vida.
J. Rubens Alves

domingo, 8 de janeiro de 2012

NAS ONDAS


Nesse período de festas, aproveitando o verão no Brasil, o melhor lugar para descansar é o litoral, com suas praias maravilhosas.
Impressiona a quantidade de pessoas que desce ao litoral para desfrutar as belezas, o calor e os momentos de magnífico descanso.
Não são todos, porém, que conseguem desligar-se completamente da vida agitada, das preocupações.
Um dos componentes que interfere incisivamente na vida das pessoas e, nos últimos anos se tornou o principal vilão, o causador de estresse, sem dúvida, é o celular.
A constatação disso foi possível quando, num desses dias de descanso, lá estava, entre as ondas que iam e vinham quebrando-se nas areias uma jovem que, com água até os ombros, falava ao celular, ávida e desbragadamente, ignorando o lugar e o momento esplendorosos de luz e sol. Simplesmente não desfrutava aquele instante banhado de energia.
Uma cena bizarra que não serve para produzir graça e nem faz rir, mas serve de reflexão e como sinal de que algo não anda bem na relação entre as pessoas e a tecnologia que as cercam.
Não bastasse o excesso do uso desse aparelho no dia a dia, com algumas pessoas falando mais alto que o necessário em filas de bancos, em restaurantes e até mesmo em templos, revelando inadvertidamente particularidades de suas vidas, outras extrapolam esquecendo-se, tal como essa jovem, dos limites que devem impor às benesses da tecnologia.
Imaginemos como o ser humano está se influenciando pela tecnologia, em detrimento da própria vida e do seu prazer, ao ponto de correrem o risco de se afogarem, sem qualquer constrangimento, nesse mar de tendências, modismos e frivolidades.
Ao menos nós, que possuímos um pouco ainda de senso crítico e vontade de motivar-se por alguma coisa de maior valor, vamos nos cuidar para não incorrermo-nos nos mesmos escorregões de comportamento.
Aposentemos celulares, gravatas e a pressa do cotidiano para celebrar com plenitude, pelo menos os momentos de natureza, sol e descanso que a vida nos oferece como verdadeiros tesouros!
Ah! Como a conversa da jovem era deveras longa nunca saberemos, ao certo, se ela se salvou ou não do afogamento pelas ondas que iam e vinham quebrando-se graciosamente nas areias!
J. Rubens Alves