sábado, 18 de agosto de 2012

DETALHES DIVINOS


Não esqueçamos: devemos ser luz para o mundo!
Às vezes nossa chama fica ao ponto de apagar. Sufocada pelo ar viciado do dia a dia nossa luz é ofuscada e se dispersa, sem produzir efeito. Não conseguimos brilhar mais. Em nossa volta ninguém nos reconhece, nem identifica.Para dar vida à nossa chama interior, coisas simples são suficientes, se ainda não perdemos de todo nossa sensibilidade. Basta pouco para que nossa sensibilidade seja capaz de captar uma força renovada que pode vir através de uma pessoa, um breve artigo ou algum conselho.
Se algo simples nos faz bem, poderá também fazer bem aos outros; poderá servir de lampejo novo.
Caminhamos pela estrada da vida sem perceber o que nos circunda. Então, a existência se torna uma longa caminhada, tão exaustiva que nos leva quase a desistir, porque não somos capazes de sentir simplesmente a vida!
Essa estória que circula em palestras, bem serve como exemplo do que desejo transmitir com relação a sensibilidade que cada um deve apurar: 
"Certo dia, um chinês chamado Lailai tomou uma resolução: iria dedicar sua vida à meditação. 
Decidiu ingressar num mosteiro no alto de uma grande montanha, com objetivo de encontrar a iluminação espiritual. Viajou muitos dias e, ao chegar em frente ao portão principal do mosteiro, encontrou aquele que seria o seu mestre. 
Lailai foi recebido com muito amor pelos monges que há muitos anos viviam por lá e dizia a todos: - Vim para buscar minha luz espiritual.
Passados alguns anos, o monge Lailai começou a ficar descontente com sua situação, pois não conseguia encontrar o caminho da luz, sentia-se o mesmo. Procurou o mestre e disse-lhe: - Amado mestre, ensinaste muitas coisas belas e importantes nesta minha caminhada, mas ainda não consegui alcançar a iluminação em minha vida. Quero desistir da vida de monge e voltar para a minha aldeia. 
E o mestre respondeu: - Tudo bem, Lailai. Já que você está desistindo desta vida de meditação, quero lhe acompanhar na descida da montanha. Amanhã, às 4 horas da manhã, estarei esperando no portão principal do mosteiro.
No horário marcado, Lailai encontrou-se com o mestre. 
Ao sairem do mosteiro, o mestre perguntou a Lailai: - Querido filho, o que estás vendo neste momento? 
Respondeu Lailai: - Mestre, vejo o orvalho da madrugada, o cheiro das flores, o céu estrelado e uma lua maravilhosa. 
Continuaram descendo a montanha. Passada uma hora de caminhada, o mestre pergunta: - E nesta parte da montanha, o que está vendo?
Respondeu-lhe Lailai:- Vejo os primeiros raios de sol, escuto o canto dos pássaros e sinto a doce brisa da manhã penetrando em todo o meu ser.
E assim continuavam a descer a grande montanha. Passadas algumas horas, o mestre voltou com a mesma pergunta, e Lailai assim respondeu: - Mestre, neste trecho da montanha sinto o calor do sol, o som do riacho, o orvalho evaporando e os animais silvestres em harmonia com toda a natureza.
Seguiram a caminhada. Chegaram ao pé da montanha ao meio-dia. E mais uma vez, o mestre fez a mesma pergunta, e Lailai respondeu: - Mestre, vejo como a montanha é bela, as árvores da floresta, o riacho doce que circunda o vale, o camponês cuidando da plantação de arroz. Vejo, também, uma criança feliz brincando com o seus amigos.
Então, o mestre lhe falou: - Agora você já poderá voltar para o mosteiro.
Espantado, Lailai perguntou qual seria a razão da volta ao mosteiro.
Respondeu-lhe o mestre: - Porque você já encontrou a Luz.
- Como assim?, questionou Lalai.
- Muito simples - repondeu o mestre - Em cada etapa da descida da montanha você percebeu a importância de cada detalhe da natureza, compreendendo os seus sons, seus odores, suas imagens, suas cores e sua vida."
Assim, portanto, é que devemos ver e interpretar esta longa caminhada. A isto tudo, nós chamamos de iluminação espiritual.
A cada degrau da vida, veja a beleza que ela oferece. Encontrar em cada pequeno detalhe da vida, um significado divino. Além de reavivar a chama interior, expandiremos nossa luz para todos. Uma luz colocada sobre o alto para que ilumine a todos.
J.Rubens Alves