domingo, 8 de janeiro de 2012

NAS ONDAS


Nesse período de festas, aproveitando o verão no Brasil, o melhor lugar para descansar é o litoral, com suas praias maravilhosas.
Impressiona a quantidade de pessoas que desce ao litoral para desfrutar as belezas, o calor e os momentos de magnífico descanso.
Não são todos, porém, que conseguem desligar-se completamente da vida agitada, das preocupações.
Um dos componentes que interfere incisivamente na vida das pessoas e, nos últimos anos se tornou o principal vilão, o causador de estresse, sem dúvida, é o celular.
A constatação disso foi possível quando, num desses dias de descanso, lá estava, entre as ondas que iam e vinham quebrando-se nas areias uma jovem que, com água até os ombros, falava ao celular, ávida e desbragadamente, ignorando o lugar e o momento esplendorosos de luz e sol. Simplesmente não desfrutava aquele instante banhado de energia.
Uma cena bizarra que não serve para produzir graça e nem faz rir, mas serve de reflexão e como sinal de que algo não anda bem na relação entre as pessoas e a tecnologia que as cercam.
Não bastasse o excesso do uso desse aparelho no dia a dia, com algumas pessoas falando mais alto que o necessário em filas de bancos, em restaurantes e até mesmo em templos, revelando inadvertidamente particularidades de suas vidas, outras extrapolam esquecendo-se, tal como essa jovem, dos limites que devem impor às benesses da tecnologia.
Imaginemos como o ser humano está se influenciando pela tecnologia, em detrimento da própria vida e do seu prazer, ao ponto de correrem o risco de se afogarem, sem qualquer constrangimento, nesse mar de tendências, modismos e frivolidades.
Ao menos nós, que possuímos um pouco ainda de senso crítico e vontade de motivar-se por alguma coisa de maior valor, vamos nos cuidar para não incorrermo-nos nos mesmos escorregões de comportamento.
Aposentemos celulares, gravatas e a pressa do cotidiano para celebrar com plenitude, pelo menos os momentos de natureza, sol e descanso que a vida nos oferece como verdadeiros tesouros!
Ah! Como a conversa da jovem era deveras longa nunca saberemos, ao certo, se ela se salvou ou não do afogamento pelas ondas que iam e vinham quebrando-se graciosamente nas areias!
J. Rubens Alves