quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

GRANDE REVELAÇÃO

   
É quase Natal. Tempo que inspira, comove e abranda os corações endurecidos num passe misterioso, tempo que contagia de forma sobrenatural as pessoas pelo mundo afora. 
Existem, sim, mistérios cósmicos além da capacidade humana, impossíveis de compreensão, mas passíveis de serem sentidos por essa mesma natureza humana, tão limitada e frágil, desde que cada um esteja disposto a abrir o seu ser para acolher a Revelação intuitiva sobre esses mistérios. 
O mesmo ocorre com a compreensão da ação do Espírito Santo na vida das pessoas. Esse também consiste em mistério verdadeiramente cósmico na sua magnitude que, somente cada um por si só, numa experiência verdadeiramente única e individual, poderá assimilar e viver intensamente.
O poder e dons infundidos pelo Espírito de Deus nas vidas das pessoas podem ser melhor compreendidos quando elas resolverem se livrar das amarras, das futilidades da realidade temporal e transcenderem verdadeiramente, com todo o seu ser, em busca das coisas do Alto cujas verdade e revelação chegam através de acontecimentos, aparentemente sem importância, que sobrevêm a cada novo dia em suas vidas. 
Exemplo maior é Jesus: muito ensinou seus discípulos dando-lhes autorização para curar o corpo e a alma, expulsar demônios, pregar o Amor a toda a criatura...
Todas essas coisas novas, contudo, não aconteceriam se Ele, como exemplo primeiro, não se despisse de sua natureza humana, praticasse tudo isso e subisse de volta ao Pai para que, assim, o Espírito fosse infundido na rude natureza humana.
Jesus sempre falava do Fogo Divino, o Espírito Santo capaz de despertar a paixão profunda: o AMOR, princípio e fim, tão necessário para que tudo funcione sustentado na base da justiça e da paz. 
É assim, nesse tripé essencial de amor, justiça e paz que se pode sustentar a perfeição da vida humana, para que ela seja inserida, por sua vez, sem máculas, à perfeição do Cosmo e do próprio Deus, energia que tudo sustenta por sua força e vontade. 
Tudo o que é Perfeito, tudo o que é Belo e Bom maravilhosamente é inspirado na paz advinda da prática da justiça que, por sua vez, se origina da prática do Amor incondicional. Por isso que, quando se pratica efetivamente as ações com base nesse tripé, se alcança o Reino de Deus, porque simplesmente Deus é o Amor.
Quando Jesus ensinava que cada um deve “simplesmente fazer a vontade do Pai”, que o importante é “ser perfeito como o Pai” e que “o Reino de Deus está próximo”, na verdade estava revelando um grande mistério: que o Reino de Deus é, antes e tudo, um estado de espírito de cada ser humano que pode ser conquistado através da prática da prática do amor, visto que este só gera a justiça e a paz. 
No instante que se compreende esse mistério tão grandioso, ao mesmo tempo facilmente acessível pela revelação, se transcende a natureza humana imperfeita e rancorosa criando-se à volta um universo do Belo, do Bom e do Perfeito.
Amor: a Chama que incendeia e sem a qual ninguém pode espalhar o fogo sobre a Terra porque “sem mim (Amor) nada podeis fazer”. 
Se o dom do Amor não estiver também sobre e dentro de cada um, acima da vontade pessoal, impregnando plenamente o estado de espírito, todas as outras atitudes temporais das pessoas se tornam rotineiras e sem entusiasmo algum. Tudo não passa de gestos, palavras e atitudes glaciais. E todos sabem que nenhuma faísca, nem mesmo a de Deus, gera combustão no gelo. 
O mundo aí está querendo modificar corações. Oferece ensinamentos estranhos, pensamentos, filosofias, críticas e teorias sem qualquer traço do fogo do Espírito que gera o Amor. 
Nada, porém, do que o mundo oferece produz combustão não tendo a ver com o amor do Espírito que é do Alto, Justo e Perfeito. Aqueles que tentarem crescer e testemunhar como homens, em dimensão humana, não conseguirão cumprir a missão, porque o pensamento do mundo os vencerá, sendo mais astuto que todos eles. 
É necessário se mover e agir na dimensão Divina onde o inimigo não pode perseguir e destruir a determinação humana de agir. Somente nesta dimensão, inspirados pelo Espírito Divino, é possível viver o Amor e transformar a humanidade, mesmo que seja a humanidade mais próxima de cada um. 
O Espírito Santo traz força e alegria operando, contudo, com propósitos eternos que vão muito além e transcendem a vontade e interesse humanos. O Espírito de Deus se faz presente para incendiar os corações com um fogo incomparável. 
O dom desta Chama incandescente inspira para o cumprimento do mandato divino, transferido a cada um: “Ide por todo o mundo e anunciai o Amor a toda criatura". 
Agora é um tempo muito especial: é NATAL. Tempo da grande novidade do nascimento do Deus-Amor entre a humanidade. Tempo que inspira viver o agora, como se fosse a última hora antes da vinda do Senhor, apressando o anúncio do Amor, através de cada um com sua própria existência. “Despertai, a vinda do Senhor está próxima...”. É Natal. 
É tempo de renascer, de despertar e tomar posse do Dom do Espírito Santo deixando-se consumir pelo Fogo Divino com grande paixão, através do Amor! 
FELIZ NATAL
J. RUBENS ALVES

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A CASA DA MÃE JOANA

Vivemos hoje no país das vantagens, dos mimos (leia-se corrupção!) onde tornou-se normal tirar Daquilo que é de todos e ferir o bem comum. 
De fato, o senso crítico e a aceitação dos valores essencialmente verdadeiros de vida, de família, de ética e de direito, entre tantos outros estão, no decorrer do tempo, sendo alterados, esquecidos e escamoteados com novos valores, apresentados como novas doutrinas, como se um bem fossem. 
Tal fenômeno ocorre pela fraqueza do ser humano diante do "gozo" que sente ao poder vislumbrar oportunidades e tirar vantagens, sejam elas quais forem ou de que envergadura representem ao coletivo, mesmo que elas produzam prejuízo ao outrem. 
O seguidores da seita do "tudo posso" agem dessa forma pelo prazer de ganhar e obter um pouco a mais, nem que esse pouco se trate de migalhas ou que fira aquele que está mais próximo. 
Certamente esse vício não é uma doença, que traz comoção, mas verdadeira fraqueza dos solapadores.
Afinal, para ser inteiramente incólume e correto nos dias de hoje, requer um grande esforço e um treinamento constante, considerando que, até por osmose, corre-se o risco de ser contaminado pelas práticas que se são 'ejaculadas' pelos que gozam com essas pequenas vantagens e seguem a doutrina do "possuísmo"! 
Assim abreviando, visto que poderíamos discorrer mais profundamente, através de páginas e mais páginas, tentando compreender o atual momento, sob um foco mais filosófico e cristão, a sórdida política que aí está e que se apresenta desnuda nestes dias que antecedem o segundo turno, nada mais é do que um reflexo do que a maioria do nosso meio é, age e procede
Os políticos que tanto nos escandalizam nada mais são do que a criação à imagem e semelhança do próprio povo. 
Eles simplesmente se comportam e agem da forma como aprenderam em seu meio, em sua família, em sua escola em algum tempo atrás, quando um dia foram como todos nós, crianças, adolescentes e protótipos de cidadãos. 
A única diferença entre eles e a maioria do povo, trabalhador e honesto, é a índole e o caráter que aceitaram acolher em sua vida.
E os jovens de hoje, que se familiarizam com essas práticas serão, algum dia, semelhantes a estes, se também aceitarem conformadamente tais referenciais.
Para os políticos que aí estão falta o principal: Testemunho. 
Suas palavras são ocas e suas obras vazias de conteúdo. Ataram, por longos anos, pesados fardos sobre os ombros da Nação e que, nem com um dedo, tentam movê-los, tão extasiados pelos prazeres do poder.
Enfim, em relação aos dois candidatos que aí estão e entre os quais teremos por consciência e 'obrigação' (porque o voto é absurdamente obrigatório!!!), apenas um lembrete: Temos a fome e vamos fazer uma macarronada para abrandá-la mudando nosso ânimo. 
Os molhos prediletos que gostaríamos de usar para essa macarronada estão em falta, não os temos na prateleira. 
Contamos com apenas dois molhos de procedência duvidosa cujo rótulo colorido e vistoso até nos seduz e engana. 
Seus ingredientes, entretanto, são indigestos... todavia temos fome. Então, para não desfalecermos sem nutrientes, nos resta escolher o ingrediente menos ruim e menos prejudicial para nossa saúde, fazer nossa macarronada e seguir em frente, mesmo que no final sejamos surpreendidos por uma bela indigestão ou dor de barriga. 
Servirá de consolo o fato de que tentamos mudar nosso momento. 
Ah! lembrar apenas que nos últimos anos nossos governantes tiveram PODER (muito, diga-se de passagem!) e não AUTORIDADE. AUTORIDADE é bem diferente de PODER diante do bem coletivo. 
A falta de visão e discernimento sobre esses dois pontos marcantes e essenciais presentes apenas em grades estadistas, faz com que o Brasil esteja totalmente fora de rumo, sem objetivos e na contra mão dos tempos e passando essa fase de desarranjo, como se fosse a casa da mãe Joana! 
J. Rubens Alves

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

SENSIBILIDADE

A razão é sempre a mesma para todos: as preocupações diárias. Ora isso ora aquilo e lá se vai o tempo, perdido e corroído. 
Um breve descuido basta para a impregnação do ser com energias negativas que, além de serem infrutíferas, destroem as bases da paz interior e o afasta de tudo o que é prazeroso. 
Basta afrouxar a vigilância e as forças interiores ficam exauridas e o brilho da própria luz se esvanece. 
Como alguém pode iluminar outras pessoas quando sua própria luz está enfraquecida? 
Quando se percebe essa sobrecarga de preocupações, prudentemente é preciso dar uma freada em tudo, atividades e decisões, e refletir assim: O problema existe? É solucionável? Se é simples que seja resolvido, caso contrário siga-se adiante abandonando-o às forças do Universo, pois se não há solução prática, humanamente viável, de nada valerá uma só lágrima, ou uma lamentação. 
Para nada adiantará ficar girando ao redor de qualquer situação. 
E, para seguir adiante, para resolver ou não qualquer situação adversa, é preciso ser forte, caso contrário, ficar-se-á à beira do caminho. 
Se faltam as forças para se vencer essas situações e contradições, coisas bem pequenas bastam para derrubar a pessoa em todo seu estado de ser. 
As pequenas contrariedades, se forem somatizadas e não administradas de forma correta, serão suficientes para derrubar estruturalmente qualquer um que não estiver devidamente preparado. Assim, a caminhada se torna longa, sem brilho, sem entusiasmo e, por isso, vem a angústia e a vontade de desistir. 
Como se evitar essas ciladas e se transpor de forma vitoriosa as peças pregadas pela vida temporal e evitar que a chama interior se apague? 
Para reavivar e manter chama interior bem incandescente, coisas simples são suficientes. E, por isso mesmo é importante manter sempre ativa e viva a sensibilidade, pois através dela é que facilmente se alimentará o brilho dessa luz. 
A sensibilidade é um dos dons maravilhosos que o Divino concedeu a todo os seres humanos, porque através dela é que se pode sentir as intuições que enlevam e mantém o ser consciente de sua tênue ligação com a Origem, com sua verdadeira Realidade que não é, certamente, a realidade temporal. 
O ser humano mantém apenas uma esmaecida lembrança de sua verdadeira origem, não consegue lembrar-se bem de onde veio e para onde deve ir mas, bem lá no seu âmago sabe que há Algo bem maior que sinaliza constantemente. 
Essas respostas, essas intuições que equilibram todo o ser só podem ser esclarecedoras na medida em que cada um manter sua sensibilidade aguçada e com as portas abertas para recebê-las de forma acolhedora. 
Existem tantas coisas simples que fazem bem a cada um e aos outros, que também precisam de combustível novo para a chama interior, ou seja a chama da sensibilidade
Essa chama de vida começa a diminuir quando se caminha pela existência sem perceber o Belo e o Bom que está a circundar todo ser humano, sem exceção, lembrando que o Belo e o Bom são a expressão mais evidente de Deus
Cada um precisa buscar entendimento e conhecimento profundo de si mesmo para entender tudo que lhe diz respeito e, a partir de então, compreender seu entorno, o mundo, a realidade temporal, inclusive suas contrariedades e sinas, compreendendo que elas são fugazes e passageiras. 
O conhecimento interior é que provocará as mudanças marcantes que tanto se almeja e poderão, real e plenamente, transformar o Ser com nuances e reflexos de perfeição, tal como a possui o Belo e o Bem
Transformação que é essencial primeiramente para si mesmo, sem querer que o outro e o mundo mudem segundo a imposição de critérios individuais e que lhe são pertinentes. O máximo que se pode fazer diante dos outros é exortá-los e convidá-los, também, a reavivar a chama da sensibilidade, despertando-os para a verdadeira e valorosa riqueza.
Ter sensibilidade é sentir que parte de Deus se individualizou sob a identidade de cada um. 
E, se cada um buscar dentro de si, encontrará o Céu. E com certeza, lá não há lugar para lágrimas e angústias. 
Definitivamente, o Reino dos Céus, "que está tão próximo" é singelamente um estado de espírito. "Quem tem ouvidos, ouça!" 
J. Rubens Alves

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A MEDIDA DO AMAR

Como seria bom e salutar se, nestes tempos de tanta instabilidade no plano mundial, Algo ou Alguém conseguisse unir os corações em torno de um único desejo: amar mais.
O caminho seria, talvez, a capacidade de cada um em fixar os seus ideais onde se encontram as verdadeiras alegrias que são, por si mesmas, frutos provenientes do Amor.
É possível amar mais? Qual é a 'capacidade volumétrica' do amar?
Uma maneira muito singela em responder essa questão é simplesmente relembrar que cada um é a sua própria medida do amor: "Amarás ao próximo como a ti mesmo"!
Esta verdade revelada há mais de dois mil anos por Jesus de Nazaré é penetrante como uma faca e fecunda as pessoas até hoje, ensinando de maneira direta e sem rodeios que, da mesma forma e medida com que cada um se ama (plenamente em corpo e espírito), será esta a sua mesma capacidade de amar o outro. 
O amor externado só para cumprir obrigações solidárias, realizar gostos pessoais, livrar-se de pressões ou satisfazer caprichos, acaba não sendo autêntico, nem verdadeiro e, por cima, anula a beleza e espontaneidade do amor verdadeiro, porque a sua manifestação se torna obsequiosa e aduladora,  maculada por interesses e condições.
Então, olhando dessa forma, essa medida de amor poderá ser comparada ao Universo que é infinito ou limitada ao tamanho de uma casca de noz, ou até menos!
O verdadeiro amor, quando incondicional e desinteressado, transborda em seus limites e se torna infinito, tanto para quem o doa, quanto para quem o recebe.
Quando qualquer ação individual, tanto de quem dá quanto de quem quem recebe o ato de amor, faz o Ser anular-se diante de gostos que parecem necessidades, significa que se perdeu a verdadeira capacidade de amar!
Amar é saber distinguir estes detalhes sutis e, se for preciso, saber até dizer um 'não' sem machucar!
Da mesma forma, quem recebe um ato de amor, não pode se considerar capaz de medir a forma ou extensão com que ele está sendo expressado.
O volume recebido de amor será medido com a mesma medida de amor que o receptor cultiva e usa dentro de si e por si mesmo.
Tais cuidados devem ter tanto aquele que pratica e emana o amor, quanto aquele que recebe e acolhe o gesto de amor.

Somente o egoísmo anula o ato de amar, pois o transforma em instrumento de domínio, escravizando aquele que se doa ou aquele que recebe os frutos do amor.
É dessa maneira que cada um compreenderá que, quem se doa com sinceridade, está se entregando em seu limite e, portanto, dele não exigirá mais nada.
Simplesmente aceitará e receberá, com gratidão, aquilo que recebeu do outro. Se exigir mais, estará anulando, de forma egoísta, aquele que o amou.
Parece um exercício difícil, mas a reflexão sobre a medida de amar e de ser amado, pode ser o início de mudanças radicais na postura e modo de cada um viver um novo processo de amorização da própria vida e da vida dos que estão mais próximos.
J. Rubens Alves





domingo, 29 de junho de 2014

A ESPERANÇA VIVE


Brevemente se iniciará a corrida pelas urnas em frenética busca pelo voto do povo hoje ainda embebido e extasiado pela magia da Copa do Mundo, em estado de profunda letargia.
Nunca as pessoas duvidaram tanto de instituições e de pessoas poderosas visto nestas faltar, acima de tudo, a verdade.
O sucesso de quem comanda e se agarra ao poder, na maioria das vezes, vem através da injustiça, da usura, do prejuízo aos mais fracos e indefesos, do abuso e cinismo no agir, não importando  pessoas e valores.
Os mesmos que duvidam de instituições e das pessoas que detém o poder, devem igualmente discordar e duvidar dos pequenos grupos quebradores de vitrines, agências bancárias e saqueadores de comércio porque, certamente, eles compõem um grupo orquestrado na manipulação das pessoas buscando, da mesma forma que os grupos legalmente instituídos - só que por vias da violência - a única coisa que pode saciá-los: o poder sem limites!
Diante de tudo aquilo que já se assistiu ao longo da vida e da História, em especial nos últimos tempos, pode-se afirmar que, cedo ou tarde, aquele que faltou com a verdade, que progrediu pela injustiça e usura, enriqueceu à custa dos mais fracos e indefesos, ou oprimiu por meio da violência, pagará um preço altíssimo pela verdade que transgrediu ou escondeu e pelo mal que cometeu através de suas ações.
Ninguém que vende uma imagem mentirosa escapará no futuro de experimentar do próprio veneno. Seus galhos murcharão e não produzirão mais flores ou frutos, nem em suas gerações futuras.
Essas afirmações não são proféticas, porém, resultado de reflexão singela sobre casos passados ao longo da História, através dos quais ficaram marcadas personagens que agiram de maneira fria e bestial, simplesmente em prol de seus interesses de ganância e poder.
Maximiliano M. Kolbe, missionário símbolo do ‘holocausto de amor’ dizia: ‘Ninguém no mundo pode mudar a verdade. Somente o que podemos fazer, quando a encontramos, é abraçá-la e aceitá-la. O grande conflito de hoje é um conflito interno.
Existem, de fato, tantos conflitos e ocupações de exércitos pelo mundo inteiro, que provocam grandes desastres.'
Essa afirmação nos indica que existe, antes de tudo o que se tem visto, outro conflito mais próximo.
Trata-se de um conflito entre dois pontos inconciliáveis no profundo de nossas almas: o bem e o mal, o ódio e o amor, o bem comum e o bem próprio. Em outro aspecto: escolher entre ética e pilantragem, entre o poder e o servir.
De que maneira, pois, valeria dizer sobre uma vitória na política (em especial na que se vê por aqui), uma vitória no campo de batalha nas avenidas das grandes cidades, no trabalho, no relacionamento social, se permanece o conflito no profundo da alma sobre a identidade de cada um, sobre a sinceridade no relacionamento dos reais interesses que cada um cultiva em seus corações, ou do comportamento daquele que se tornará um  mandatário de um País?
Como se pode ser feliz quando se passa uma imagem que não é a verdadeira através da mídia? Quando se perde a noção dos valores reais e, às vezes, a noção do valor absoluto que a vida realmente encerra?
É impossível dois sentimentos tão opostos, duas caras, conviverem sem conflitos mesmo que, por combinações mágicas!
Por algum tempo podem ludicamente enganar até aqueles que, de maneira quase pura, são autênticos, de cara limpa e, ainda por cima, se esforçam para manter seu caráter intocável.
O tempo revelará, conforme seus caprichos, aquele que usou de artimanhas e falsidades para tentar iludir todo um povo que, por natureza, é puro de coração, amante da vida, da solidariedade e, acima de tudo, apaixonado por tudo o que seja verdadeiro.
Mesmo quando as coisas parecem confusas e desalentadoras, todos deverão acalentar em seus corações a esperança por um País mais justo e humano, no qual prevaleçam o respeito à vida, à liberdade e à igualdade ao acesso às benesses que o governo tem proporcionado a poucos privilegiados.
O tempo para mudanças radicais está próximo, quando cada um com o coração e a consciência devidamente amoldadas pela verdade, se encaminhará às urnas, onde serão partícipes de uma batalha sem violência e sem guerrilhas.
Com a esperança que é viva e a vontade de mudar a mentalidade, tanto própria quanto daqueles mais próximos é que uma vida mais plena de harmonia florescerá com amor, paz e alegria à qual faz jus este lindo e grande Brasil!
J. Rubens Alves

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A PORTA

Para que você alcance a plenitude de vida é preciso aprender a esvaziar-se. Antes de tudo, você deve tirar de seu interior coisas novas e velhas. Só é possível transformar-se na medida em que se esvazia.
Como é possível acolher conteúdo novo se dentro de você não há mais espaços, todos eles ocupados por preconceitos e verdades discutíveis? Se você refletir, nem há mais espaço para Deus.
Só é possível saciar-se de um Espírito novo ou acolher o semelhante e outras revelações, se houver disponibilidade de espaço dentro de você!
E esta porta de entrada e saída, pela qual se acolhe ou se rejeita, possui somente a fechadura de um lado: dentro de você, o único com poder de abri-la.
Se você decidir por não abri-la, ninguém será capaz de transpô-la. Tudo que é novo e símbolo de mudança e transformação será incapaz de penetrar e produzir seus frutos, sem sua permissão. Até mesmo Deus respeitará sua decisão.
Se não houver, de sua parte, uma resolução forte e um real desejo por transformação do ser (do viver), então você continuará a conviver entre o inferno e o paraíso, sem condições de jamais alcançá-lo. Mesmo em condições de aumentar sua longevidade física, continuará a envelhecer dentro de seus limites e de suas mazelas.
Não basta desejar mudar. Mudar não implica em grandes sacrifícios. Muitas vezes, uma camada de verniz muda a aparência, mas só superficialmente. É preciso, porém, querer transformar-se. Transformação é algo bem mais profundo, porque mexe com estruturas do saber, do conhecimento pragmático e tecnológico. Em contrapartida, faz brotar e crescer um ser mais espiritualizado e humanizado dentro de você.
Essa combinação de mais humanismo e espiritualidade produzirá grandes mudanças que aplainarão seus caminhos eliminando, inclusive, as imperfeições sociais porque, na maioria das vezes, elas são frutos da ganância e da falta de amor aos semelhantes, incrustados despercebidamente no seu íntimo.
Alimente, pois, a esperança por períodos melhores em sua vida e na dos semelhantes, acreditando no potencial dessas transformações de natureza espiritual e humana.
Com essa consciência você não correrá o risco de ver o convívio com o vertiginoso progresso tecnológico fugir de seu foco principal: o próprio homem em sua plenitude!
J. Rubens Alves

sexta-feira, 28 de março de 2014

SÍNTESE

Em síntese: Aquele que o Mal pratica às escuras e às escondidas se torna vilão e carrasco de si mesmo, pois no seu íntimo, ele mesmo se julga, se condena e, por fim, penaliza todo o seu ser. Enfim, se corrói por dentro, indefinidamente, ignorando que tudo, bem ou mal, benção ou maldição, retorna como eco!! 
J. Rubens Alves

quarta-feira, 5 de março de 2014

PALAVRAS ANTIGAS PARA UM TEMPO ATUAL

 Muitos gostariam de se expressar sobre tudo quanto está acontecendo escancaradamente, em clima de escárnio e deboche, no âmbito do poder, da política, da justiça. 
A verdade é que faltam as palavras certas, que traduzam o que a razão e o coração sentem.    
É bem propício, nestes tempos de repugnância e amargor figadal, o texto proferido, em 1918, por Rui Barbosa e relembrado nas redes sociais nos últimos dias que sacia, em parte, a sede de cada brasileiro em expressar seus sentimentos, sem o ímpeto de quebrar e destruir o que vê pela frente.
Ao menos, faz corar aqueles que, investidos de algum poder, ainda assim possam cultivar o mínimo de caráter e vergonha.
O grande Barbosa (o Rui), há quase cem anos expressou seus sentimentos machucados, tanto quanto os nossos atualmente, tal como se escrevesse para o outro Barbosa de nossos dias (o Joaquim): 
   "Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte deste povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra. 
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-Mater da sociedade, a demasiada preocupação com o 'eu' feliz a qualquer custo, buscando a tal 'felicidade' em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo. 
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos 'floreios' para justificar actos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre 'contestar', voltar atrás e mudar o futuro. 
Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. 
Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.   Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo deste mundo! 'De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto'. (Rui Barbosa - 1918)!
Apesar de ressentidos com tamanha anomalia no primor pela verdade, o transloucado desvio da ética trocada por benesses, da falência do caráter comum nas pessoas de bem, ainda é um consolo saber que ainda resistem, valorosa e heroicamente, muitas grandes e corajosas pessoas que não se calam, a exemplo de grandes "Ruis".
Na existência é importante não deixar rastros disformes, mas uma história bem escrita e de cara limpa!  
J. Rubens Alves